2011/06/29

Porque após uma e outra vez já se torna uma rotina

Quase que podia jurar que isto já me aconteceu... na escola, no secundário, na universidade...
Curiosamente no trabalho nunca tal me aconteceu. Pior do que isso é o efeito de contágio, que a rotina do despertar cedo durante a semana de trabalho, está a provocar no meu fim-de-semana.
Já por várias vezes estava eu num momento de relaxamento total, em perfeita sintonia com a Natureza e com o mundo em meu redor, com a mente a vaguear pelo território inexplorado de sonhos fugazes, perfeitamente anichado na paisagem composta pela minha almofada e lençois e lá vem o meu relógio interno dizer-me que já passa das 7h30, hora de levantar, num dia de férias?!?
Não há pachorra para me aturar nessa alturas (:

2011/06/16

Lusco-fusco

Estavam dois homens sentados em cima de uma ponte, um deles caiu e o outro... chamava-se António!


"If you smile when no one else is around, you really mean it." ~ Andy Rooney

2011/06/14

O ouro já cá está

A arte do desenrasque (arte genuinamente portuguesa e que nos descreve tão bem como povo) é talvez a nossa mais valia e ao mesmo tempo o nosso calcanhar de Aquiles, a nossa Adriana Lima que nos tenta e arrasta para a perdição (:

O que nos sobra em criatividade para resolver problemas e achar soluções engenhosas para as mais diversas situações falta em vontade, valores e ética para a direccionarmos para uma correcta utilização. Facilitismo e complacência para com a corrupção são a nova face pela qual estamos a passar a ser conhecidos no mundo.
Em 2007 num Interrail apresentava-me como português e assumiam logo que sabia jogar futebol, era bem-disposto, gostava de um bom prato e de conviver e falar com pessoas. Era o vizinho simpático que todos gostavam.

Será que hoje ainda pensavam o mesmo?!?
Gosto de pensar que sim, mas só para nos precavermos havíamos de abrir a pestana e sair deste torpor, para que quando fizer o meu segundo Interrail não se refiram a mim como o caloteiro, irresponsável e borgas do português.
Pode ser que a solução passe por movimentos cívicos como a Geração à Rasca ou por estes rapazes... mas até atingir a escala do que está a acontecer em Espanha ainda vai correr muita água debaixo da ponte.

Sorte a minha (:

Dubrovnik, Croácia
O local mais bonito que já visitei (:

Faça-se luz

Este nosso cantinho no mundo pode não ter petróleo mas tem alternativas ainda melhores :p
No ano de 2010, 56,7% da energia eléctrica consumida em Portugal foi produzida com recurso a energias renováveis, um novo recorde absoluto para Portugal. Desde os 17-20% em 2005 aos 56,7% em 2010 está uma evolução espantosa que nos coloca no terceiro local entre os países europeus no que toca à proporção das energias renováveis em relação à produção eléctrica nacional total.
Mas também, que remédio tínhamos visto que não temos carvão, petróleo ou gás natural e não queremos nuclear, apesar de importarmos desde 1971 energia de Espanha produzida em centrais nucleares ^^

Democracia... temos escolha?

Democracia
1. sistema político em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos, baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade
2. nação democrata
(Do grego demokratía, «governo popular», pelo latim democratìa-, «id.»)
em dicionário da Porto Editora

Ao ler esta palavra e a sua definição percorrem-me uma série de sensações díspares. Por um lado dá-me vontade de sorrir ao perceber que estamos na presença da melhor solução política de governo que o ser humano foi capaz de inventar até ao momento e por outro sinto uma ligeira sensação de vómito no fundo do estômago ao olhar ao esvaziamento que esta palavra sofreu ao longo de séculos, ainda mais se olhar para o significado que esta palavra tem neste cantinho plantado à beira mar, chamado de Portugal.

Originalmente a democracia foi inventada como alternativa à tirania. O conceito de um voto por cidadão era a base e impediria que a vontade de uma só pessoa (o tirano, ou candidato a tirano) fosse imposta aos demais sem um concordar da maioria das pessoas. A Bulé (ou Parlamento da altura) era constituída por 500 pessoas, mudadas anualmente, que podiam servir no máximo duas vezes ao longo da sua vida e que governavam Atenas.
De realçar que os atenienses já tinham perfeita noção da máxima "o poder corrompe" e que a limitação de mandatos era uma pedra basilar da sua forma de governo. Seria de esperar que no século XXI já tivéssemos adoptado o mesmo para todas as áreas da política nacional (Governo, Autarquias, Governos Regionais, etc).
O conceito de partidos era desconhecido, pelo que a democracia funcionava pela maioria em relação a cada assunto e não pela eleição dos seus representantes, como se faz hoje em dia.

A democracia original tinha muitos problemas. Apenas os cidadãos (homens acima dos 20, não-escravos e nativos da cidade) tinham direito ao voto, era um regime que admitia a escravatura e era um sistema que funcionava muito na base da oratória, em que alguns bem-falantes conseguiam influenciar as decisões da assembleia a seu favor.

O que há a reter é que foi a primeira tentativa de criar uma forma de governo que eliminasse os vícios de outros métodos governativos e que tentou tratar todos como iguais (ou quase todos como disse acima) de maneira a que os governos fossem o mais justos possíveis. Um sistema de governo em que todos podiam participar.
A democracia original era uma democracia participativa.

Hoje em dia a democracia representativa é lei na maior parte do mundo Ocidental. Esta noção da democracia ganhou força principalmente no Século XX e efectivamente permitiu que cada pessoa fizesse parte do processo (através do sufrágio universal) mas ao mesmo tempo limitou o envolvimento do comum dos mortais no processo democrático. De facto, com este método pretende-se que a única intervenção democrática do povo seja feita em altura de eleições (ou referendos) e que sejam escolhidos representantes que devem falar, agir e decidir em "nome do povo".

Um sintoma de que o método de governo actualmente adoptado não é o ideal passa pelo valor da abstenção. Uma abstenção elevada representa que há uma parte substancial do povo que não se revê na sua forma de governo e que acha que a sua participação (ou seja o seu voto) não o torna efectivamente parte do processo de escolha e decisão. E efectivamente é isso que acontece, pois a democracia representativa promove uma divisão entre governantes e governados que em última análise promove um afastamento da política da vida quotidiana dos governados, provocando um desinteresse e por consequência um afastamento cada vez mais acentuado.
Basicamente os representantes são eleitos e recebem uma carta em branco (que pode ou não ser renovada nas eleições seguintes) para governarem durante um período de tempo limitado. A isso se resume a democracia representativa.

Que alternativas então?
Um regresso à democracia participativa parece a solução mais óbvia.
Um método de governo onde efectivamente a sociedade civil disponha de meios de controle sob a administração pública, onde o papel democrático não se resume ao voto. Um método onde a democracia entre na esfera social da sociedade e seja vivida por todos e em que todos possam realmente fazer a diferença.

Quantos de nós não apoiam um partido mas em algumas situações não foram contra determinadas tomadas de posição desse mesmo partido? A beleza do método é que permitiria a todos participarem no governo do seu país, autarquia, etc, a um nível totalmente estratosférico em relação ao presente.
Obviamente que o processo teria que ser agilizado de maneira a que a admnistração pública não bloqueasse com toda e qualquer decisão que tivesse que ser tomada.
Esta opção tem cada vez mais aliados no moderno mundo tecnológico em que vivemos, pois as dificuldades de logística latentes à garantia de participação em condições de igualdade de todos os intervenientes (no caso de Portugal 8,5 milhões de votantes segundo os cadernos eleitorais das recentes eleições) podem ser resolvidas com recursos a soluções tecnológicas criativas.
Só com este método de governo poderia algum iluminado afirmar que "quem não votar, não pode depois criticar Governo". Como se votar em nulo ou abster-se não signifiquem algo. Como se não signifique um descontentamento com todo o processo de escolha democrática... com o sistema.

Poderão os partidos coexistir com uma democracia participativa?
Provavelmente não e talvez por isso nunca a venhamos a experimentar, mas lá que parece uma evolução para melhor, parece...

Direita e Esquerda

Cada vez que abro um jornal ou um site fico pasmado com certas declarações e notícias que curiosas personagens, cuja única actividade que se lhes conhece é chafurdar no lamaçal que é a política nacional, produzem em catapuda.
É porque um é de esquerda e tem políticas de direita ou os de direita são de extrema-direita e os do centro são mais direita do que de esquerda. Chego a pensar se os ditos cujos que vivem da política sabem realmente o significado de direita e esquerda.
Aqui vai um pequeno comparativo direita vs. esquerda:
  • estado pequeno vs. estado grande
  • individualismo vs. colectivismo
  • conservadorismo vs. liberalismo
  • igualdade de oportunidades vs. igualdade de rendimentos
Partidos de extrema-esquerda são normalmente associados a regimes como o comunismo que trata a população exclusivamente como um todo em detrimento dos indivíduos e partidos de extrema-direita são associados com regimes como o fascismo com forte pendor nacionalista.

Face a estas características podemos tecer algumas considerações do que seriam as políticas de cada partido conforme a sua posição no espectro político.
Um partido de direita teria tendência a emagrecer o papel do estado, auto-regulação dos mercados, daria primazia a uma economia forte em detrimento do estado social (não ao ponto de o negligenciar mas sem a dedicação que um partido de esquerda teria) , igualdade de oportunidades e uma baixa de impostos.
Um partido de esquerda teria como seu grande objectivo um estado social robusto, acreditaria no controlo da economia, num aumento de impostos (necessários para financiar o estado social forte) e num aparelho de estado grande.

Se realmente os partidos seguissem as políticas que a sua posição no espectro político tem de implícito seria muito fácil para qualquer votante decidir qual o partido que pretende votar, de acordo com as suas próprias convicções. Mas tal não acontece, pois na maioria dos casos (excepto em óbvios casos de demagogia e radicalismo político, como os partidos de extrema-esquerda e extrema-direita que recusam evoluir) os partidos tiveram de se adaptar e tornaram-se pragmáticos.
Hoje em dia num estado europeu tenta governar-se em termos económicos como sendo de direita e ter políticas sociais como sendo de esquerda. A chave para ser bem sucedido é governar mantendo a balança equilibrada pois não se pode ter um estado social forte sem uma economia forte e não se pode ter uma economia forte com um estado que roube espaço na economia aos privados.

Num breve olhar aos principais partidos portugueses temos que o PSD, o PS e o CDS evoluíram e não se limitam a adoptar políticas exclusivamente do seu espectro político. O PCP mantêm-se fiel à sua ideologia comunista e o Bloco de Esquerda revela-se um caso à parte, sempre em busca das questões "fracturantes" para mobilizar votos dos descontentes numa abordagem liberal da política de uma forma muito fiel aos ideais de esquerda.

Pessoalmente identifico-me como sendo de direita pois acredito em igualdade de oportunidades, em que cada um deve tê-las mas que depois sobressaia o mérito e a competência ao longo da vida de cada um. Abomino a corrupção e a incompetência e não gosto de alimentar parasitas.
Claro que em Portugal o factor C(unha) é lei em muita coisa e por isso às vezes dou por mim a pensar se as minhas ideias não terão acompanhamento pelo resto dos meus conterrâneos, mas depois vejo que há pessoas como Medina Carreira e Mário Crespo que ainda me dão esperança (: