2011/06/14

Direita e Esquerda

Cada vez que abro um jornal ou um site fico pasmado com certas declarações e notícias que curiosas personagens, cuja única actividade que se lhes conhece é chafurdar no lamaçal que é a política nacional, produzem em catapuda.
É porque um é de esquerda e tem políticas de direita ou os de direita são de extrema-direita e os do centro são mais direita do que de esquerda. Chego a pensar se os ditos cujos que vivem da política sabem realmente o significado de direita e esquerda.
Aqui vai um pequeno comparativo direita vs. esquerda:
  • estado pequeno vs. estado grande
  • individualismo vs. colectivismo
  • conservadorismo vs. liberalismo
  • igualdade de oportunidades vs. igualdade de rendimentos
Partidos de extrema-esquerda são normalmente associados a regimes como o comunismo que trata a população exclusivamente como um todo em detrimento dos indivíduos e partidos de extrema-direita são associados com regimes como o fascismo com forte pendor nacionalista.

Face a estas características podemos tecer algumas considerações do que seriam as políticas de cada partido conforme a sua posição no espectro político.
Um partido de direita teria tendência a emagrecer o papel do estado, auto-regulação dos mercados, daria primazia a uma economia forte em detrimento do estado social (não ao ponto de o negligenciar mas sem a dedicação que um partido de esquerda teria) , igualdade de oportunidades e uma baixa de impostos.
Um partido de esquerda teria como seu grande objectivo um estado social robusto, acreditaria no controlo da economia, num aumento de impostos (necessários para financiar o estado social forte) e num aparelho de estado grande.

Se realmente os partidos seguissem as políticas que a sua posição no espectro político tem de implícito seria muito fácil para qualquer votante decidir qual o partido que pretende votar, de acordo com as suas próprias convicções. Mas tal não acontece, pois na maioria dos casos (excepto em óbvios casos de demagogia e radicalismo político, como os partidos de extrema-esquerda e extrema-direita que recusam evoluir) os partidos tiveram de se adaptar e tornaram-se pragmáticos.
Hoje em dia num estado europeu tenta governar-se em termos económicos como sendo de direita e ter políticas sociais como sendo de esquerda. A chave para ser bem sucedido é governar mantendo a balança equilibrada pois não se pode ter um estado social forte sem uma economia forte e não se pode ter uma economia forte com um estado que roube espaço na economia aos privados.

Num breve olhar aos principais partidos portugueses temos que o PSD, o PS e o CDS evoluíram e não se limitam a adoptar políticas exclusivamente do seu espectro político. O PCP mantêm-se fiel à sua ideologia comunista e o Bloco de Esquerda revela-se um caso à parte, sempre em busca das questões "fracturantes" para mobilizar votos dos descontentes numa abordagem liberal da política de uma forma muito fiel aos ideais de esquerda.

Pessoalmente identifico-me como sendo de direita pois acredito em igualdade de oportunidades, em que cada um deve tê-las mas que depois sobressaia o mérito e a competência ao longo da vida de cada um. Abomino a corrupção e a incompetência e não gosto de alimentar parasitas.
Claro que em Portugal o factor C(unha) é lei em muita coisa e por isso às vezes dou por mim a pensar se as minhas ideias não terão acompanhamento pelo resto dos meus conterrâneos, mas depois vejo que há pessoas como Medina Carreira e Mário Crespo que ainda me dão esperança (:

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